quinta-feira, 23 de agosto de 2007

ao lindo johnson

eu era um homem muito bonito
eu era charmoso
eu era lindo
eu era maravilhoso
eu era demais
eles me chamavam de alain delon
mas hoje de longe, me chamam de jason
me taxam de jason
me pegaram pra jason
me mostre o seu coração de monstro
e eu mostro os pêlos da mão:
seus pesadelos mais sinceros se realizarão

édson de vulcanis, marcos prado e marcio goedert

domingo, 19 de agosto de 2007

crowley´s home

cresce capim no meu carpet
as cortinas escorrem pela janela
os rodapés sobem pelas paredes
o sofá é tragado pelo piso movediço
- outono dos lustres: caem lâmpadas
a estante me hipnotizou e está em posição de ataque
a banheira prepara o bote
a porta da cozinha me mastiga o estômago
a mesa engatinha pelo corredor
a cadeira saltou com os quatro pés no meu peito
sangue jorra pelas tomadas
os quadros fogem da realidade
saio voando pela varanda

édson de vulcanis & marcos prado
saudades da lancheira

onde andam vocês, bolachas maria?
amiguinhos toddys
cream crackers piraquê
por que me abandonaram?
venham, duchens
voltem, zequinhas
bidu-cola, crush e mirinda
apareçam antes que eu morra
pela boca cheia de formiga

édson de vulcanis & marcos prado

domingo, 13 de maio de 2007


cartola

sou negro albino
não sou sarará
já fui batedor de sino
hoje ensino a dançar
também bato tambor
alegre faço a cuíca chorar
batuque é uma espécie de amor
samba é uma forma de amar

édson de vulcanis & marcos prado

domingo, 11 de março de 2007


luxações
as manchas violáceas em meu corpo
escoriações
os vergões das chicotadas
mutilações
meu sangue pingando das suas unhas

édson de vulcanis & marcos prado
a felicidade bate à minha jaula

cheguei em casa truculento
estripei minha mulher
desossei meus filhos
taquei fogo nos vizinhos
não porque sou violento
mas por estar carente de carinho

acordei feliz e satisfeito
numa jaula cheia de companheiros
sem mulher, crianças e vizinhos
só com amor, carinho e compreensão
guardas, grades, cães e carcereiros
aqui protegem do mal meu coração


édson de vulcanis & marcos prado

sábado, 3 de março de 2007


cãibras no sangue

hoje eu acordei em tiras
os olhos com formato de duas garrafas vazias
o vômito como morcilha de porco
as hematomas doendo como socos por todo o corpo

quem vai pagar essa conta?

beber aos litros atrai espíritos malignos
fui expulso de casa e olha que eu moro sozinho
prometo beber somente na semana que vem
tropeçar me cai bem

édson de vulcanis & marcos prado